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Hiroshima: conhecendo a cidade

A cidade da reconstrução e radiação apenas de amor!

Hiroshima no Japão, após a Bomba Atômica
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Hiroshima (広 島) é mundialmente conhecida por um triste fato: em 6 de agosto de 1945 foi alvo da primeira bomba atômica.

Lançada estrategicamente sobre a cidade – a princípio – como um teste.
Afinal, nem os americanos criadores tinham noção exata do seu poder.

Muitas pessoas relatam uma certa tristeza ao visitar a cidade.

Porém, confesso que minha impressão foi totalmente diferente. (fora a espetacular ilha sagrada de Miyajima)

Eu enxerguei: superação, reconstrução, dedicação e amor!

Afinal, quem seria capaz de transformar Hiroshima no que é hoje, depois da bomba devastar quase dois quilômetros ao redor do seu epicentro?

Os dedicados japoneses, é claro!

Muitos relatos dizem que mesmo com as escolas destruídas, as aulas continuaram em Hiroshima ao ar livre um dia após o ataque!

Educação sempre foi a base japonesa.

Agora em 2017, vi estas pequenas indo pra escola numa das grandes avenidas de Hiroshima.
Outro fato chocante para nós brasileiros: a segurança.

As crianças pequenas vão em duplas para a escola (pelo menos).
Sem a supervisão de um adulto. Uma cuida da outra.

Pequenas estudantes indo para a escola em Hiroshima no Japão
Pequenas estudantes indo para a escola em Hiroshima no Japão

Os uniformes e chapéus ajudam a identificar mais facilmente os estudantes.
Os menores carregam no pescoço um apito, e o tocam caso algum estranho faça uma aproximação má intencionada.

Bomba atômica e a guerra: superação

Esta não é uma história para ser esquecida.
É para ser superada e aprendermos com ela para nunca MAIS repetirmos estes atos covardes.

Durante a II Guerra Mundial os Estados Unidos desenvolveram o Projeto Manhattan:
pesquisas para criação de um armamento poderoso sob a fissão do átomo.

Muitos europeus de países que já tinham perdido a guerra, estavam também neste projeto que inicialmente tinha a Alemanha como alvo.

Um primeiro teste desta bomba já havia sido realizado no deserto de Alamogordo no Novo México (EUA).

Os Estados Unidos propuseram ao Japão uma rendição.
O Japão não aceitou. E o resultado disto todos sabem.

Nos jardins do Castelo de Hiroshima
Nos jardins do Castelo de Hiroshima

Em 6 de agosto de 1945 foi lançada a bomba atômica de urânio sob Hiroshima, que explodiu a 570 metros do chão.

Uma imensa bola de fogo se formou no céu com uma temperatura maior do que 300.000 graus celsius que gerou a imensa nuvem no formato de cogumelo, esta nuvem alcançou mais de 18 km de altura.

O resultado da bomba chamada de “little boy” lançada pelo bombardeiro B-29 apelidado de Enola Gay (que ninguém sabia o poderio até então) foi a devastação de mais de 2 km de área terrestre, causando a morte de 70.000 pessoas instantaneamente.

O número total de vítimas com a radiação fez este número aumentar para mais de 200.000.

Posteriormente também houve uma bomba lançada sobre Nagasaki, mais poderosa ainda.

Porém, erros de cálculo para determinar o alvo a fizeram atingir uma área montanhosa (causando mesmo assim milhares de mortes).

O Japão – através do seu Imperador – assinou a rendição em 2 de setembro de 1945.

Irasshaimase!
O que aprendemos com a Segunda Guerra Mundial?

É difícil falar que houve algum aprendizado com um fato que dizimou milhares de pessoas em todo o mundo.

Mas, podemos dizer que foi o último ato de destruição em massa.

Com minha visita ao Japão, entendi que também se aprende com a dor.

É incrível a devoção, dedicação e superação dos japoneses.

Um povo que tinha de tudo para aderir ao coitadismo, e pelo contrário, tornaram-se uma potência mundial!

É um povo que tem orgulho do que faz.
Seja qual for a área, o japonês entra pra fazer o melhor!

Desde o atendente de uma lojinha até o presidente de uma empresa.

Você como cliente ou como turista percebe o prazer em ser bem recebido.

Ao adentrar um comércio no Japão, você é recebido pela frase:
Irasshaimase” (いらっしゃいませ).

Por TODOS os funcionários. TODOS!
Em tradução livre, Irasshaimase significa “Bem vindo” ou “Prazer em recebê-lo.

Era nítida a satisfação em lhe atender bem no Japão.

Apesar de óbvio, afinal, cliente feliz se torna fiel.
Volta sempre, gasta mais e fica bom pra todo mundo.

Num mercado cheguei até a ficar sem graça, porque todo funcionário que cruzava comigo cumprimentava-me com um Irasshaimase.

E isso foi um choque, porque tinha acabado de vir do Brasil, onde a área de serviços em geral sofre.
Alguns atendentes são trabalhadores temporários que estão esperando uma oportunidade para migrar para outra função.

É lógico que existem exceções e já fui muito bem tratado aqui.
Mas, confesso que é rara exceção.

Já perdi a conta da quantidade de vezes que no Brasil chego a uma caixa de supermercado, dou um boa noite e como resposta recebo uma bela cara emburrada ou ouço a pessoa se lamentando de quanto tempo falta pra encerrar seu expediente!

No Japão há um orgulho.
Estou aqui para fazer o meu melhor!

Recebo o meu salário e vou fazer de tudo para tornar sua experiência na minha loja o melhor possível!

E isso funciona!
Eu AMO ouvir Irasshaimase toda vez que entro num comércio ou casa de lamen.

Sua experiência começa boa desde a porta de entrada!

 

Cidade de Hiroshima

Bom, voltando ao assunto do tópico, vamos falar de Hiroshima!

Uma cidade que tinha recebido o título de inabitável devido à radiação, hoje abriga mais de um milhão de habitantes.

Desde a nossa chegada, achei a cidade organizada e encantadora!
A reconstrução da cidade foi muito bem executada.
É um lugar com muitos canais e várias pontes.

Uma das principais pontes da cidade inclusive foi o alvo da bomba atômica, para cercar a população e seu exército.

Alguns monumentos que haviam sido destruídos foram reconstruídos.
Como é o caso do Castelo de Hiroshima que também visitamos.

 

O bonde de Hiroshima

Um meio de transporte muito comum para circular pela cidade é o bondinho, também chamado de tram.

Símbolo da resignação, voltou à circulação 3 dias após o ataque da bomba atômica!

Até hoje a linha e os bondes cinza, verde, azul e marrom estão em circulação em Hiroshima, já são mais de 70 anos de história.

Tram - Bondinho de Hiroshima em circulação a mais de 70 anos!
Tram – Bondinho de Hiroshima em circulação a mais de 70 anos!

E não é um transporte apenas turístico.
Encontramos vários executivos indo ao trabalho nestes bondes!

O baixo custo também ajuda a explicar esta adoração.

Você sobe no bonde e desce em qualquer estação atendida por ele, por apenas ¥ 160.

Usar o bonde de Hiroshima é um pouco diferente.
Você sobe pelas portas centrais e desce pela dianteira/traseira.

O pagamento do bonde é feito por você mesmo na hora de descer. Basta depositar as moedas no caixa.
Mas, cuidado porque o pagamento automático não dá troco. Então dentro do bonde tem outra caixa também automática que você coloca uma cédula de yen e ela te devolve tudo em moedas!

Outra opção é comprar o passe diário (one-day pass) que custa ¥ 600 e você pode usar livremente o dia inteiro, eles são vendidos em todas as estações.

Na saída do nosso hotel  vimos este bonde todo estilizado e comemorativo:

Bonde de Hiroshima
Bonde de Hiroshima

Uma das nossas primeiras paradas com o bonde, foi o parque do Memorial da Paz.

 

Parque Memorial da Paz de Hiroshima

O Hiroshima Peace Memorial (広島平和記念碑 Hiroshima Heiwa Kinenhi) é um parque construído no local onde foi lançada a criminosa bomba atômica.

Em alguns lugares você verá a inscrição em japonês:

Descansem em paz.

Nós nunca repetiremos o erro.

Há dezenas de esculturas, edificações e obras que remetem à paz do pós guerra neste parque.

É um passeio que pode levar horas e horas, onde você aproveita para refletir sobre o ocorrido e como a vida é realmente um sopro.

Uma das pontes que foi o alvo da bomba atômica
Uma das pontes que foi o alvo da bomba atômica

O principal destaque é o A-Bomb Dome (原爆ドーム Genbaku Dōmu), a cúpula da bomba atômica.

Em 1996 foi reconhecida como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO (vejas outros que já visitamos).

É a única construção que resistiu ao ataque no seu epicentro e até hoje está preservada.

Muitos imaginam que ela era uma construção militar, mas na verdade era um edifício da Prefeitura de Hiroshima relacionado ao conglomerado das indústrias e construído em 1915.

A-Bomb Dome em Hiroshima
A-Bomb Dome em Hiroshima

Todos os anos, em 6 de agosto, precisamente as 08:15 hs (momento exato da detonação) é realizada uma cerimônia com um minuto de silêncio em homenagem as vítimas da bomba atômica.

Detalhes da cúpula do Atomic Bomb Dome em Hiroshima
Detalhes da cúpula do Atomic Bomb Dome em Hiroshima

O Japão faz um trabalho recorrente de manutenção para manter este edifício em pé, corrigindo infiltrações e fazendo tratamento com resina.

É um importante símbolo da resistência.

Na mesma praça, visitantes também são convidados para tocar o Sino da Paz.

Chegamos no mesmo momento de uma excursão, e os estudantes balançaram juntos o grande pendulo que batia no sino, resultando num relaxante som:

Sino da Paz em Hiroshima
Sino da Paz em Hiroshima

Ao circular pelo parque, encontramos vários senhores e voluntários que contavam a história da guerra em vários idiomas.

O acesso ao parque é totalmente gratuito, apenas é cobrada entrada para visitar o museu da paz.

Como chegar ao Parque do Memorial da Paz

Utilize o bondinho e desça na estação Genbaku-Domu Mae.
É uma viagem de 15 minutos a partir da Hiroshima Station.

Dias e horário de funcionamento:
Parque: todos os dias, 24 horas por dia
Hiroshima Peace Memorial Museum: todos os dias, 08:30 hs a 18:00 hs

Taxa de visitação:  
Parque: totalmente gratuito
Hiroshima Peace Memorial Museum: ¥ 200

 

Hiroshima-jo: o Castelo de Hiroshima

Caminhamos para as proximidades do Castelo de Hiroshima (広島城, Hiroshimajō) num lindíssimo dia de sol.

O céu de Hiroshima é surreal e fantástico.
Em todos os dias da minha visita fiquei impressionado.
As nuvens são diferentes. É difícil achar uma palavra para descrever.

Também conhecido como o Carp Castle: Castelo da Carpa, foi construído em 1589!

Porém, foi destruído pela bomba atômica e posteriormente reconstruído.

Logo na chegada conhecemos o Ninomaru, esta belíssima casa de guarda e segundo círculo de defesa.

Todo o terreno é protegido por um fosso que rendeu este belo reflexo:

Ninomaru - A casa de guarda do Castelo de Hiroshima
Ninomaru – A casa de guarda do Castelo de Hiroshima

Assim como foi comum em alguns lugares que visitamos no Japão, o lugar estava passando por pequenas reformas.

Por este motivo, decidimos não entrar e seguir nossa viagem!
O exterior do Castelo de Hiroshima já pagou a visita, é impressionante!

O Castelo de Hiroshima
O Castelo de Hiroshima

Muito próximo ao castelo (10 minutos de caminhada) vale a pena conhecer o Shukkeien Garden, também conhecido por “shrunken-scenery garden”. Um jardim com montanhas e florestas em miniatura.

Outro marco da cidade é o Mazda Museum, localizado até hoje no mesmo lugar da criação da empresa em 1920.

Lá existe um museu com vários carros antigos, que infelizmente não visitamos porque já estávamos de partida para a incrível ilha de Miyajima.

Saindo do Castelo de Hiroshima
Saindo do Castelo de Hiroshima

Como chegar ao Castelo de Hiroshima

Caso esteja com o bondinho, desça na estação Kamiyacho-nishi ou Kamiyacho-higashi.
O castelo também está a uma caminhada de dez minutos do Shukkeien ou do Parque da Paz.

Dias e horário de funcionamento:
Todos os dias
09:00 hs a 17:30 hs (de abril a setembro)
09:00 hs a 16:30 hs (outubro a março)

Taxa de visitação:  
¥ 370 (para entrar no castelo)
O jardim e os arredores são totalmente gratuitos.

Veja também o site oficial do Castelo de Hiroshima.

 

A lenda dos 1000 tsurus

Para entender a lenda dos tsurus (origamis), faço um resumo da história de Sadako Sassaki (que possui uma estátua em sua homenagem no Parque da Paz).

Sadako era uma criança sobrevivente da bomba atômica que nunca perdeu sua ternura e não faltou nenhum dia na sua escola primária.

Chegou a tornar-se atleta no ensino médio, mas viu sua saúde diminuir com uma leucemia aos 12 anos de idade. Seus amigos então, fizeram 1000 origamis/tsuru no formato de grou (uma grande ave).

Os 1000 grous em papel colorido (um pássaro que se assemelha a uma cegonha ou uma garça) enfeitaram o quarto de Sadako e então lhe foi dita a lenda:
“Se fizer 1000 grous de papel, seu desejo se tornará realidade”

Cheia de esperança, ela começou a dobrar os origamis.
Passava noites com dor e febre, dobrando seus tsurus na esperança de sobreviver.

Muito fraca, infelizmente não teve forças para dobrar seus mil pássaros.
Faleceu aos 12 anos, dez anos depois da explosão da bomba atômica.

Seus amigos da escola dobraram os tsuru que faltavam para que fossem enterrados com ela.

Desde então, é muito comum ver tsurus por todo o Japão e especialmente em Hiroshima.

Aqui vimos esta homenagem na calçada de um famoso hotel nos arredores do parque:

A lenda dos 1000 Tsurus de Hiroshima
A lenda dos 1000 Tsurus de Hiroshima

Ao invés de guerra, vimos momentos de muita paz e aprendizado na visita.

É sabido que a guerra tira o discernimento da pessoas.

O lado japonês também estava fora de controle, você conhece a
história do americano que foi enjaulado no Zoo de Ueno?

 

Okonomiyaki – O prato mais típico de Hiroshima

Não deixem de provar o Okonomiyaki!

Apesar de ser encontrado em todo o Japão, é aqui que ele teve sua origem e onde dizem ser feito o mais gostoso de todos (há uma certa briga com Osaka e Kyoto)!

Okonomi significa “o que você quer / gosta” e yaki significa “grelhado / frito”.
Ou seja “cozinhar aquilo que você gosta da maneira que você deseja”!

Nós fomos até o Hassei, o restaurante mais recomendado em Hiroshima!

Pegue um lugar no balcão e ele será preparado e servido numa chapa na sua frente.

Okonomiyaki - o prato mais típico de Hiroshima
Okonomiyaki – o prato mais típico de Hiroshima

No final, vira quase uma pizza ou uma panqueca com vários ingredientes: macarrão, ovos, bacon, repolho, algas, cogumelos e regado com boas doses de molho.

O visual não é tão recompensador quanto o seu sabor.. risos

E os preços são muito bons.
Você vai pagar por volta de ¥ 700 (R$ 21,00 em 2018) neste grande prato de okonomiyaki!

E são várias opções e combinações no menu, é possível montar até um vegetariano.

 

Como chegar na cidade de Hiroshima no Japão?

Viemos diretamente de Tokyo com o Shinkansen Nozomi / Kodama (trem bala).

A distância entre Tokyo e Hiroshima é de 810 km.
Mas a viagem leva em torno de 5 horas por incríveis paisagens.

Você pode utilizar o JR Pass para economizar nesta viagem, que vou explicar num tópico a parte.

Outras cidades próximas:
– distância entre Hiroshima e Osaka: 330 km
– distância entre Hiroshima e Kyoto: 360 km

Confira também o mapa da região central da cidade.

 

 

Obrigado Hiroshima, por tudo que nos ensinou!

Vocês serão um exemplo que carregaremos para toda vida!

Arigatou gozaimasu! Hiroshima!
Arigatou gozaimasu! Hiroshima!

Arigatou gozaimasu! (obrigado)

 

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