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Hachiko – O cachorro mais famoso do Japão

o maior simbolo de lealdade do País

Hachiko - Estátua na Estação Shibuya
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Antes de ir ao Japão, eu já conhecia a história de Hachiko.
O mais famoso cachorro do Japão já teve sua história contada em 3 filmes.

Em duas versões japonesas, sendo o primeiro de 1925 e uma nova filmagem em 1987 (que já assisti e recomendo muito: Hachi-ko).
Hollywood também fez sua versão estrelado por Richard Gere, chamado Sempre ao seu Lado, que talvez seja a mais conhecida.

Uma das coisas que eu mais queria visitar em Tokyo, era a estátua em sua homenagem localizada no bairro de Shibuya!

Dizem que traz sorte tocar as patas da estátua de bronze de Hachiko, e elas já até mudaram de cor devido a isso!

 

Quem foi Hachiko?

Hachiko nasceu numa fazenda próxima à província de Akita, no Japão em 10 de novembro de 1923.

Em 1924, foi enviado a casa de seu futuro proprietário, o Dr. Eisaburo Ueno, um professor do Departamento Agrícola da Universidade de Tóquio.

A história conta de que o professor queria ter um Akita há anos, e que tão logo recebeu seu almejado cão, batizou-o de Hachi.

Depois passou a chamá-lo carinhosamente pelo diminutivo: Hachiko.

Foi uma espécie de “amor à primeira vista”, pois, se tornariam amigos inseparáveis!

O professor Ueno morava em Shibuya, subúrbio de Tóquio, perto da estação de trem. Como fazia do trem seu meio de transporte diário até o trabalho, Hachiko acompanhava seu dono todas as manhãs. Caminhavam juntos da casa até à estação de Shibuya.

Hachiko parecia ter um relógio interno, e sempre por volta das 15 horas retornava à estação para encontrar o professor.

Dr Ueno desembarcava as 16 horas e juntos voltavam para casa.

Hachiko e o Dr. Hidesaburo Ueno
Hachiko e o Dr. Hidesaburo Ueno

Em 21 de Maio de 1925, o professor Ueno sofreu uma espécie de um AVC durante seu trabalho na faculdade e faleceu.

Hachiko, que na época tinha pouco menos de 2 anos de idade no horário previsto, esperou seu dono pacientemente na estação.

Naquele dia a espera durou até a madrugada…

Na noite do velório, Hachiko (que estava no jardim) quebrou as portas de vidro da casa e foi para a sala onde o corpo foi colocado.

Passou a noite deitado ao lado de seu mestre, recusando a despedida.

 

Hachiko e sua lealdade

Após sua morte, a esposa do professor deu Hachiko para alguns parentes do que moravam em Asakusa, no leste de Tóquio.

Mas ele fugiu várias vezes e voltou para sua casa em Shibuya.
Um ano se passou e ele ainda não tinha se acostumado à nova casa.

Foi então, dado ao ex-jardineiro da família que conhecia Hachi desde que ele era um filhote.
Mas Hachiko continuava a fugir, aparecendo frequentemente em sua antiga casa.

Depois de certo tempo, aparentemente Hachiko se deu conta de que o professor Ueno não morava mais ali.

Todos os dias ia até a estação de Shibuya para esperar seu dono voltar do trabalho, como sempre fazia.

Fez isso dia após dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros.
Estes começaram então a trazer petiscos e comida para aliviar sua vigília.

Em 1929, Hachiko contraiu um caso grave de sarna, que quase o matou.
Devido aos anos passados nas ruas, ele estava magro e com feridas das brigas com outros cães.

Sua aparência miserável, não parecia mais com a criatura orgulhosa e forte que havia sido uma vez.

 

Um novo suspiro para Hachiko

Um dos alunos do professor Ueno viu o cachorro na estação e o seguiu até a residência dos Kobayashi, onde aprendeu a história da vida de Hachiko.

Coincidentemente o aluno era um pesquisador da raça Akita, e logo após seu encontro com o cão, publicou um censo de Akitas no Japão.

Na época haviam apenas 30 Akitas puro-sangue restantes no país, incluindo Hachiko da estação de Shibuya.

Ele retornava sempre para visitar o cachorro e por anos publicou artigos sobre a lealdade de Hachiko.

Sua história foi enviada para o Asahi Shinbun, um dos principais jornais do país, onde foi publicada em setembro de 1932.

Quando um grande jornal contou a história de Hachiko, todo o povo japonês soube sobre o cão e ele se tornou uma espécie de celebridade, uma sensação nacional.

Sua devoção à memória de seu mestre impressionou o povo japonês e se tornou modelo de dedicação à memória da família.
Pais e professores usavam Hachiko como exemplo para educar crianças.

Em 21 de Abril de 1934, uma estátua de bronze de Hachiko (ainda em vida), esculpida pelo renomado escultor Teru Ando, foi erguida em frente ao portão de bilheteria da estação de Shibuya, com um poema gravado em um cartaz intitulado “Linhas para um cão leal”.

A cerimônia de inauguração contou com a participação do neto do professor Ueno e uma multidão de pessoas.

 

Hachiko esperou seu dono por 9 anos

 

Hachiko envelheceu, tornou-se muito fraco e sofria de problemas no coração.

Na madrugada de 8 de março de 1935, com idade de 11 anos e 4 meses, ele deu seu último suspiro no mesmo lugar onde por anos a fio esperou pacientemente por seu dono.

A duração total de seu tempo de espera foi de nove anos e dez meses.

A morte de Hachiko estampou as primeiras páginas dos principais jornais japoneses e muitas pessoas ficaram inconsoláveis com a notícia. Um dia de luto foi declarado.

Seus ossos foram enterrados na sepultura do professor Ueno, no Cemitério Aoyama, Tóquio.

Durante a 2ª Guerra Mundial, para aplicar no desenvolvimento de material bélico, todas as estátuas foram confiscadas e derretidas, e, infelizmente, entre elas estava a de Hachiko.

 

Hachiko e sua nova e definitiva estátua

Em 1948, formou-se a “The Society For Recreating The Hachiko Statue” entidade organizada em prol da recriação da estátua de Hachiko. Tekeshi Ando, o filho de Teru Ando foi contratado para esculpir uma nova estátua.

A réplica foi reintegrada no mesmo lugar da estátua original, em uma cerimônia realizada no dia 15 de agosto.

A atual estátua de Hachiko em Shibuya
A atual estátua de Hachiko em Shibuya

A história de Hachiko atravessa anos, passa de pai para filho, sendo até mesmo ensinada nas escolas japonesas – no início do século para estimular lealdade ao governo, e atualmente, para exemplificar e instilar o respeito e a lealdade aos anciãos.

Todos os anos, no dia 8 de março, ocorre uma cerimônia solene na estação de trem de Shibuya, em Tóquio.
São centenas de amantes de cães que se reúnem em homenagem à lealdade e devoção de Hachiko.

Ao nascimento de uma criança, a família recebe uma estatueta de Akita como desejo de saúde, felicidade e vida longa. O objeto também é considerado um amuleto de boa sorte. Quando há alguém doente, amigos dão ao enfermo esta estatueta, desejando pronta recuperação.

Por causa desse zelo, a raça Akita se tornou Patrimônio Nacional do povo japonês, tendo sido proibida sua exportação.

Se algum proprietário não tiver condições financeiras de manter seu cão, o governo japonês assume sua guarda.

 

Como chegar à estátua de Hachiko em Shibuya?

O que muitos não sabem é que a estátua de Hachiko está imersa dentro de outro cartão postal de Tokyo.

Shibuya é conhecida por possuir a maior e mais concorrida travessia de pedestres do mundo, e a pequena praça com a estátua fica bem ao lado desta travessia, veja abaixo:

Como chegar à estátua de Hachiko em Shibuya?
Como chegar à estátua de Hachiko em Shibuya?

Se estiver de trem, basta descer na Estação Shibuya.

Além disso, você verá um lindo mosaico em homenagem à Hachiko logo na saída da estação:

Painel do Hachiko na saída da estação Shibuya
Painel do Hachiko na saída da estação Shibuya

Não se assuste com a quantidade de pessoas que você verá na frente do painel.
Hoje em dia ele virou um famoso ponto de encontro das pessoas!

 

A localização da estátua de Hachiko:

 

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